O Apagão de Cada Um e a Charge do Bessinha

O apagão elétrico tirou o foco da escuridão política que se espalha na coalizão demotucana. Breu nº 1: a economia cresce à velocidade de 8% a 10% ao ano neste final de 2009; Breu nº 2: a aprovação ao Presidente Lula sobe de 65% para 68% da população; Breu nº 3: Dilma cresce na pesquisa Vox Populi e soma 19% de intenções de voto; Serra ainda lidera mas perde 4 pontos. Breu nº 4: o arestoso governador de SP perde, sobretudo, espaço no PSDB nacional: "Aécio é mais amplo politicamente que o governador José Serra.” A avaliação é do presidente do partido, Sergio Guerra, na UOL. (Carta Maior e o apagão de cada um; 11-11)

Marina defende presidente e discorda de Caetano Veloso

João Domingos, O Estado de São Paulo

“Pré-candidata do PV à Presidência, a senadora Marina Silva (AC) defendeu ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado de "analfabeto" pelo cantor e compositor Caetano Veloso, em entrevista a Sonia Racy, no Caderno 2 do Estado, dia 2. "Obviamente que eu não concordo com a ideia de que Lula seja um analfabeto", disse a senadora.

Na mesma entrevista, Caetano afirmou que votará em Marina se ela for candidata à Presidência da República. Na quarta-feira passada, procurada pelo Estado, para comentar as declarações do compositor baiano, Marina preferiu agradecer o apoio que ele manifestou à sua eventual candidatura ao Planalto. "Isso mais do que agrega, congrega. Quero registrar meu agradecimento pela avaliação positiva que Caetano faz do que ele considera minhas qualidades", disse na ocasião. Mas evitou entrar na polêmica aberta por Caetano. "Quanto às opiniões dele que envolvem outras pessoas, não gostaria de discuti-las."

Ontem Marina foi menos esquiva. "Tenho uma relação afetiva de mais de 30 anos com o presidente Lula. A visão que tenho dele é permeada por essa relação de respeito e de companheirismo", afirmou a senadora. Ela argumentou que o próprio Caetano, em carta publicada pelo Estado na edição de ontem, disse que não quis ser ofensivo ao presidente.”
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Mendes diz que ministros do STF terão solução adequada para caso Batistti

Marcos Chagas, Agência Brasil

“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, evitou comentar hoje (11) qualquer possibilidade de o governo italiano vir a questionar a participação do ministro José Antonio Dias Toffoli no julgamento de extradição do ex-militante de esquerda Cesare Battisti, previsto para amanhã (12). Mendes limitou-se a dizer que os ministros do STF têm condições de dar encaminhamento a essa questão e que terão soluções adequadas para “essas controvérsias”.

Antes de ser nomeado ministro da Supremo Corte, Toffoli ocupou o cargo de Advogado-Geral da União. O governo já se manifestou contrário à extradição de Cesare Battisti. Enquanto ocupou o cargo, no entanto, José Antonio Dias Toffoli não se manifestou formalmente sobre o processo que será julgado amanhã.

Gilmar Mendes comentou a possibilidade de os advogados do italiano tentarem transferir a decisão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no caso de o STF decidir pela extradição. Isso estaria baseado em um tratado entre Brasil e Itália que autorizaria o presidente a dar a palavra final caso haja o entendimento de que a pessoa em questão seja vítima de perseguição política.

O presidente do STF destacou que primeiramente é preciso aguardar um pronunciamento formal do Supremo. Logo em seguida, ele ressaltou que, no Brasil, “não há qualquer tradição de descumprimento de decisões do Judiciário, sobretudo do Supremo Tribunal Federal”.

Ele participou de solenidade do Congresso Nacional que promulgou a emenda à Constituição que transfere ao quadro da União os servidores civis e militares do ex-território federal de Rondônia, concedendo a eles o mesmo tratamento assegurado aos funcionários dos ex-territórios do Amapá e de Roraima, e a que estabelece que a presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) será exercida pelo presidente do STF.”

Charge do Bessinha

Não deu no jornal Nacional: Mantega prevê crescimento de 8% a 10%

“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse há pouco, no início da tarde desta terça-feira, que o PIB brasileiro crescerá algo entre 8% e 10% durante o terceiro trimestre de 2009 (julho, agosto e setembro), se comparado ao desempenho no mesmo período de 2008, portanto, antes do início da crise econômica mundial.

O desempenho é bem melhor àquele anotado no segundo trimestre, de 7,8%. Várias consultorias independentes já apostavam em índices chineses de crescimento para a economia brasileira. O número oficial do PIB no período, no entanto, só será divulgado dia 10 de dezembro.”
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Rio vai ganhar 46,5 mil casas populares até 2012

Agência Brasil

“O Rio de Janeiro vai ganhar 46.593 mil casas populares até 2012, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. O anúncio foi feito hoje (10), na sede da prefeitura, em Botafogo. Durante a cerimônia, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, assinaram contrato para a construção imediata de 4.919 moradias para famílias com renda até três salários mínimos nos bairros de Santa Cruz e Senador Camará. Dessas unidades, 55 serão destinadas a portadores de necessidades especiais.

As primeiras unidades vão custar R$ 250,7 milhões. A previsão é de que as obras sejam concluídas em 12 meses. O governo federal deve investir R$ 34 bilhões até o final do projeto.Cada apartamento tem custo médio de R$ 51 mil. Os novos moradores vão poder pagar prestações até R$ 50, durante dez anos. Segundo Dilma Rousseff, mais de 7 milhões de famílias - a grande maioria com renda até seis salários mínimos - não tinham casa no país no ano passado.

“O processo de favelização bastante acentuado no Rio é fruto da falta de investimento no setor de habitação para as famílias mais pobres. Por isso, 80% dos recursos para a construção dessas casas estão voltados para as famílias que ganham até seis salários mínimos”. Se o governo não subsidiar essas habitações, assinalou Dilma, a maioria da população não tem como financiar um imóvel.

Do total das unidades licenciadas pela prefeitura, 27.294 serão para famílias com renda até três salários mínimos, em 11 bairros da cidade. Em outros 20 bairros, 19.299 habitações serão destinadas a famílias que ganham de três até 10 salários mínimos.
Em Santa Cruz, serão beneficiadas 480 famílias que hoje vivem em áreas de risco e 350 famílias da comunidade Serra do Sol, localizada às margens da Avenida Brasil.”

Vox Populi: Dilma sobe! Serra cai!

Cena I
Serra: 36% / Antes: 40%;
Dilma: 19% / Antes: 15%;
Ciro: 13% / antes: 12%;
Heloísa: 6% / Antes: não constou na pesquisa;
Marina: 3% / Antes: 5%;
Nulo, branco e não sabe: 23%.

Cena II
Dilma: 20%;
Ciro: 19%;
Aécio: 18%;
Heloísa: 8%;
Marina 4%.

Rejeição:

Dilma: 12%;
Serra: 11%;
Heloísa: 10%;
Ciro Gomes: 8%;
Aécio Neves: 5%.


Já decidiu em quem votar: 33%;
Não decidiu, mas tem uma idéia: 12%;
Não decidiu e não sabe em quem votará: 55%.

Tarso: Itália intervir no caso Battisti é 'desaforo'

Carolina Freitas, Agencia Estado

“O ministro da Justiça, Tarso Genro, reagiu hoje às tentativas do governo italiano de interferir no caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti. Tarso disse estar surpreso com a "arrogância" e "falta de respeito completo" demonstrados pela Itália no episódio. O julgamento do processo de extradição do italiano será retomado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira. "Eles não têm competência nem representação para entrar com ações judiciais. É um desaforo para o Estado brasileiro e para a democracia no País."

"A postura da Itália de querer dobrar o Judiciário brasileiro é uma vergonha para ela e uma tentativa de humilhação ao Brasil", afirmou ele, em evento de lançamento de oficinas de arte e tecnologia na capital paulista. Segundo reportagem publicada hoje pelo jornal "Folha de S.Paulo", o governo da Itália estuda questionar na Justiça a participação na decisão do ex-advogado-geral da União e atual ministro do STF José Antonio Dias Toffoli.”
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"Aécio é mais amplo politicamente que Serra", diz presidente do PSDB

Fernando Rodrigues, UOL / Folha

“O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou em entrevista exclusiva ao colunista do UOL Notícias e da Folha de S. Paulo Fernando Rodrigues que Aécio Neves, governador de Minas Gerais, conseguiria mais facilmente apoio de líderes políticos para ser candidato à Presidência da República em 2010 do que José Serra, governador de São Paulo. Segundo o dirigente tucano, a chance de o partido ter uma chapa "puro-sangue" na disputa presidencial, de 0 a 10, é só três. Guerra disse também que o DEM terá a vice na chapa. O dirigente tucano ainda defendeu a liberação de drogas como a maconha. Confira a entrevista em vídeo.

"Aécio tem a maior aprovação que um governador tem no país inteiro. Ele é mais amplo politicamente que o governador José Serra", disse o senador.

Guerra fez uma avaliação sobre a escolha do candidato tucano à Presidência nas eleições de 2010.

Sobre o governador paulista, disse que "Serra tem a vantagem de ser mais conhecido e essa não é uma vantagem pequena. Tem a vantagem de ter a preferência de votos de uma grande parcela do eleitorado e faz um governo excelente em São Paulo, que é um grande colégio eleitoral". Ainda assim, disse Guerra, o mineiro Aécio teria mais facilidade para ampliar as alianças do PSDB no processo eleitoral.

A direção do PSDB espera que os dois pré-candidatos entrem em um acordo e não haja a necessidade de uma eleição interna (chamada de "prévias") para a escolha.

Mesmo sem a certeza das prévias, o partido está fazendo um recadastramento do endereço dos filiados no seu site. Se houver a votação, o processo só ocorrerá no começo do próximo do ano.”
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Tropicália Sob o Signo de Escorpião

José Celso Martinez Corrêa, EVOÉ

“No mesmo dia que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no “Caderno de Cultura do Estadão”, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na sessão Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da Cultura, como Estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.

Por outro lado meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto pra Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isto ao prefaciar a tradução em português criolo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: “Brutality Garden”, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente Antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetês, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surprender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das relações exteriores, Marina Silva para o meio ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.”
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Charge do Bessinha

Aécio e Ciro articulam estratégia conjunta

Mineiro deve receber deputado em encontro público na próxima semana

Julia Duailibi, O Estado de São Paulo

Governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB), pré-candidatos à Presidência da República, costuraram uma estratégia conjunta de atuação com o objetivo de se fortalecerem na corrida presidencial de 2010. Os dois articularam agenda pública comum para mandar mensagem de unidade e de capacidade de aglutinar forças políticas a seus partidos e adversários.

A ideia é que já na próxima terça-feira Aécio e Ciro almocem juntos no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, para dar publicidade à dobradinha. Os dois, que cultivam boa relação pessoal, têm conversado com frequência, no momento em que encontram dificuldades para colocar na rua suas candidaturas ao Planalto.

Aécio disputa com o governador paulista, José Serra, a indicação do PSDB para concorrer à Presidência. Nas últimas semanas, entrou numa queda de braço com Serra para antecipar a data de escolha do candidato tucano - o paulista é contra a antecipação da candidatura. Aécio, com projeção nacional menor que Serra, quer que a escolha do nome seja feita até o começo do ano que vem. Os dois governadores conversaram anteontem por telefone e devem se encontrar nos próximos dias para tentar um entendimento.

O encontro com Ciro é útil para Aécio, porque ilustra o que o mineiro tem dito ser o seu diferencial: ter condições de agregar mais forças políticas em torno do projeto presidencial tucano que Serra - o paulista e Ciro são desafetos políticos.”
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Pesquisa mostra insatisfação com livre mercado, 20 anos depois de queda do muro

Uma pesquisa realizada a pedido da BBC em 27 países e divulgada nesta segunda-feira apontou que existe uma grande insatisfação com o capitalismo de livre mercado, 20 anos após o episódio que marcou a derrocada de seu sistema rival, o comunismo.

BBC Brasil

Em um universo de 29 mil entrevistados, apenas 11% disseram que o capitalismo “funciona bem” e que uma maior regulação por parte dos governos o tornaria “muito menos eficiente”.

Por outro lado, 23% opinaram que o sistema “está cheio de falhas e precisamos de um novo sistema econômico”.

Os resultados foram compilados para coincidir com os 20 anos da queda do muro de Berlim, que dividia a cidade em duas metades, uma ocidental, capitalista, e outra oriental, comunista.

“Parece que a queda do muro de Berlim, em 1989, não foi a vitória arrasadora para o capitalismo de livre mercado que parecia à época”, disse Doug Miller, presidente da Globescan, uma das empresas parceiras da iniciativa.

Após mais de uma década de experiências neoliberais, iniciadas a partir do chamado consenso de Washington, nos anos 1990, e sobretudo depois da crise econômica atual, atribuída em grande parte aos excessos do mercado, a pesquisa mostrou uma receptividade de cidadãos em diversos países a algum tipo de presença governamental da economia.”
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Movimentos sociais fazem manifestação contra agressão e expulsão de aluna da Uniban

Daniel Mello, Agência Brasil

“Movimentos sociais realizaram na noite de hoje (9) uma manifestação contra a agressão e expulsão da estudante Geisy Arruda da Universidade Bandeirante (Uniban), em frente ao campus da insituição em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

A aluna foi expulsa da faculdade após ser hostilizada pelos colegas que consideraram o vestido que trajava curto. Durante o protesto, a Uniban anunciou que decidiu rever a sanção imposta a estudante.

A notícia de que a universidade voltou atrás na decisão, no entanto, não interrompeu a manifestação. Falaram do carro de som os representantes da Marcha Mundial de Mulheres, da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Associação Brasileira de Gays Lésbicas e Transexuais e da Central Única dos Trabalhadores.

“Na sociedade hoje, ninguém vê problema quando o corpo da mulher é usado como mercadoria, ninguém vê problema em aparecer bunda e peito para vender cerveja na televisão. Mas a mulher, quando quer usar a roupa que ela bem entende, não pode, é vítima de agressão e opressão”, afirmou a diretora de mulheres da UNE, Roberta Costa.”
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As crises e o desafio dos tucanos

Raphael Bruno, JB Online

“Enganam-se aqueles que enxergam no impasse envolvendo a escolha do candidato do PSDB à sucessão presidencial entre os governadores de São Paulo, José Serra, e o de Minas Gerais, Aécio Neves, o grande dilema enfrentado pelos tucanos nestes meses que antecedem a intensificação dos esforços eleitorais. A crise que hoje acomete o partido é muito mais profunda do que os meandros das táticas e negociações que definirão o postulante tucano ao Palácio do Planalto. E não pode ser sintetizada apenas no duradouro insucesso do partido na árdua tarefa de promover o enfrentamento de um governo e um presidente extremamente populares.

Para ser mais preciso, o PSDB hoje é forçado a lidar com duas crises, ligadas uma à outra de maneira umbilical. A primeira, e talvez a mais grave delas, é de legitimidade. Em outras palavras, falta ao partido, em inúmeras situações decisivas, um passado político que lhe permita fundamentar com coerência histórica as práticas e os discursos políticos do presente. Os exemplos são muitos: hoje, seus parlamentares se revoltam com o modo pelo qual a base aliada bloqueia tentativas de investigações em comissões de inquérito que guardem algum potencial de dano político ao governo, mas no passado o então presidente Fernando Henrique Cardoso, e mesmo na atualidade o próprio governador José Serra, também desenvolveram técnica própria, exercitada por diversas vezes, de enterro e controle de CPIs.”
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Retaliação do Brasil aos EUA em algodão será de US$ 2,7 bi

Karina Nappi, DCI

“A Câmara de Comércio Exterior (Camex), composta por sete ministros, divulgou ontem a lista de 222 produtos americanos que poderão ser sobretaxados na importação em uma retaliação comercial contra os Estados Unidos. O objetivo da divulgação é fazer uma consulta pública com empresários brasileiros e ver quais os setores que podem ter um benefício maior ao Brasil e um ônus alto para os americanos.

Do total de itens inseridos na lista, 141 itens (64%) são bens de consumo e 81 itens (36%) são bens intermediários. O valor da lista representa 10,6% do total das importações brasileiras dos Estados Unidos em 2008.

De acordo com a secretária executiva da Camex, Lytha Spíndola, a lista de produtos que poderão ter o Imposto de Importação elevado pelo governo totaliza US$ 2,7 bilhões.

Spindola explicou que a lista é preliminar e sofrerá ajustes após o recebimento das sugestões do setor produtivo.

De acordo com Lytha, a lista foi elaborada considerando o critério de concentração em poucos itens de alto valor de forma que não fossem incluídos insumos ou bens de capital ou produtos não fabricados no Mercosul. Além disso, ela afirmou, que os produtos incluídos devem ser encontrados no mercado interno ou podem ser importados de outros mercados para não prejudicar a indústria nacional e os consumidores brasileiros.”
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Tragédia colombiana

Frei Betto, Adital

“A UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) enfrenta um impasse diante da teimosia do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de ampliar a instalação de bases usamericanas no território de seu país. Os demais presidentes estão contra. Preferem preservar a soberania e a independência da América do Sul.

Na reunião de Bariloche, em agosto, o presidente Lula bem argumentou: se desde 1952 as tropas estadunidenses não conseguiram erradicar o narcotráfico na Colômbia, por que agora estariam aptas a fazê-lo?

Funcionam na Colômbia três Estados paralelos: a guerrilha das FARC; o narcotráfico; e os grupos paramilitares, criados supostamente para combater os dois primeiros. Desde 1991, cerca de 2.500 sindicalistas foram assassinados naquele país, 500 sob o governo de Uribe. Os paramilitares puxam o gatilho, mas quem os financia são empresas nacionais e transnacionais.

A Coca-Cola sofre processo judicial por ter apelado aos paramilitares para reprimir atividades sindicais, entre 1992 e 2001, que resultaram na morte de sete sindicalistas. A Chiquita Brands, exportadora de banana, admitiu ter financiado o grupo terrorista Autodefesa da Colômbia. A Dyncorp foi acusada de contaminar com substâncias tóxicas lavouras de pequenos agricultores na fronteira entre Colômbia e Equador, visando a erradicação do plantio de coca. Tais fatos têm impedido que o governo dos EUA, empenhado na investigação dessas empresas, realize o grande sonho de Uribe: assinar o tratado de livre comércio entre os dois países.

A empresa Drummond, com sede no Alabama, explora minas de carvão e é acusada de ordenar o assassinato, por mãos de paramilitares, de três dirigentes sindicais. Ela extrai da Colômbia mais de 16 milhões de toneladas de carvão/ano. Seu faturamento anual está calculado em US$ 500 milhões, graças ao trabalho de 3.000 mineiros remunerados a US$ 2,5/hora.”
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Charge do Bessinha

No Brasil, 64% querem maior controle do governo na economia

A pesquisa feita a pedido da BBC em 27 países e divulgada nesta segunda-feira revelou que 64% dos brasileiros entrevistados defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país.

BBC Brasil

Não apenas isso: 87% dos entrevistados defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios no país, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.

A insatisfação dos brasileiros com o capitalismo de livre mercado chamou a atenção dos pesquisadores, que qualificaram de “impressionante” os resultados do país.

“Não é que as pessoas digam, sem pensar, ‘sim, queremos que o governo regulamente mais a atividade das empresas’. No Brasil existe um clamor particular em relação a isso”, disse Steven Kull, o diretor do Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês), com sede em Washington.

O percentual de brasileiros que disseram que o capitalismo “tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico” (35%) foi maior que a média mundial (23%).

Enquanto isso, apenas 8% dos brasileiros opinaram que o sistema “funciona bem e mais regulação o tornaria menos eficiente”, contra 11% na média mundial.”
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País terá redução de emissões de CO2 ao redor de 40%, diz Dilma

Carmen Munari, Reuters

“Pela primeira vez o governo brasileiro admitiu se comprometer com uma redução em torno de 40 por cento nas emissões dos gases causadores do efeito estufa até 2020. O compromisso que será anunciado no próximo sábado vai ser levado pelo país à conferência mundial de mudanças climáticas, em dezembro.

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que chefiará a delegação brasileira em Copenhague, na Dinamarca, evitou, no entanto, utilizar o tema "meta" para a posição do país. Segundo ela, a decisão ainda precisa de uma justificativa técnica.

"Nós não achamos que pode reduzir 40 por cento. Temos que provar que pode. Talvez seja 38, 42 por cento", disse a ministra a jornalistas, sinalizando que o governo vai se decidir por um percentual.

Dilma esclareceu que a estimativa de corte nas emissões de CO2 leva em consideração um crescimento econômico de 5 ou 6 por cento.
Já está acertado que o país vai reduzir o desmatamento em 80 por cento, o que contribuirá para uma diminuição de 20 por cento nas emissões dos gases. A ministra insistiu que os países desenvolvidos deverão ser pressionados a cumprir metas rígidas.

"A postura do Brasil é de que os países em desenvolvimento assumam uma posição forte", disse ela, explicando que eles devem contribuir para uma redução de 2 graus na temperatura global.”
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SP: Campo popular e progressista quer marchar junto em 2010

Uma reunião que pode ser considerada histórica na cena política de São Paulo aconteceu nesta segunda-feira (9), na sede do PDT, na capital paulista, reunindo representantes de nove partidos do campo popular e progressita que, juntos, concordaram em iniciar desde já as articulações para que possam estar juntos na disputa de 2010, tendo como adversário principal o campo da direita hegemonizado pelo PSDB.

Vermelho.org

A reunião contou com a participação de lideranças do PT, PCdoB, PSB, PDT, PRB, PSL, PSC, PTN e PPL. Entre os representantes partidários, estavam vários deputados estaduais representando suas bancadas na Assembléia Legislativa de São Paulo, presidentes estaduais das legendas, o senador Aloisio Mercadante (PT), o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), anfitrião do encontro, e o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini.

A reunião emitiu uma nota (veja a íntegra no final desta matéria) que estabelece como um dos objetivos do grupo o de "elaborar uma agenda política comum, nos próximos meses, de sorte a fortalecer o campo agora constituído no Estado".

A nota foi assinada pelos partidos presentes à reunião, com exceção do PTN e PPL (Partido Pátria Livre, formado recentemente), que ainda precisam consultar suas direções.

A nota diz ainda que reconhece a existência de pleitos e nomes respeitáveis nos partidos representados na reunião, "os quais, unificados num programa em comum, poderão contribuir para uma vitória do campo popular no Estado, seja nos cargos majoritários, como nas chapas proporcionais".
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